Não foi ontem à noite, como ficaria mais bonito descrever. Mas não importa, porque também haverá o mesmo, ou mais, em muitas outras noites, de lua ou não, de verão ou outono. Já faz uns dias, mas ficou a impressão na pele com força bastante para ultrapassar a barreira de febres e dores e resistir para derramar-se aqui. Foi um poema robusto que brotou sob a suavidade que tua mão esculpia-me como a passear sobre mim-argila úmida, pronta para moldar-me gozo, sonho e gostos fluídos.

Um poema feito de movimento lânguido, seguido de enrosco sonolento e comemoração múltipla no acender do dia - uma data nova a ser colorida em nosso calendário profuso de razões boas.


Escrito por Laura Paz às 23:10 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Silêncio é sapiência, mas não o tempo todo. Há dias para calar e há o tempo em que o verbo sustenta caminhos, brinda alegrias e limpa desentendimentos. Se no princípio era o verbo, todo dia traz a possibilidade de muitos princípios.


Escrito por Laura Paz às 18:04 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Depois da ressaca inevitável, primeiro dia útil do ano. E eu que ando pouco dedicada às letras (ao menos aqui), porque a vida pede outras coisas, fiquei contente de ver o Milton ressuscitar uma mensagem de recomeço enviada em 2005. Contente de ver que o dito antes continua a valer, de saber que aquelas palavras tocaram pessoas de algum modo. E o ano ainda bem novinho está aí à espera de nosso andar. Haverá coisas difíceis, como qualquer caminho que já cruzou o tempo desde sempre; haverá coisas lindas de se ver, ouvir, tocar, gostar, degustar. Talvez algum ou outro psicopata de plantão queiram burlar a paz alheia, mas para os fortes e saudáveis, não gerarão mais que riso ou desprezo; os bárbaros e crimisosos sempre existiram e se hoje as manchetes dos jornais são tão desanimadoras é apenas porque esse é  tipo de notícia que vende melhor. Pessoas grandes e generosas também sempre houve e continuarão a fazer bons rumos. E para o que realmente importa, que é o correr dos dias, hora a hora, que prevaleça a paz e a cor. Feliz ano, felizes horas, bons dias!


Escrito por Laura Paz às 16:14 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





o lugar do meu castelo

daqui a cem anos nem se sabe o que haverá nas serras daqui ou até onde chegarão os mares de acolá, e não importa que sejamos menos ou que as cidades continuem no ritmo alucinado de agora. porque a humanidade só é assim tão importante para si mesma e pela presunção que a cega sobre seu papel relativo no caldo cósmico no qual sempre nos diluiremos insignificantes. não saberei como correrão os séculos, ainda que haja previsões, predições, cálculos. pode ser que não fiquem registros de tudo o que valeu de verdade no caminho, podem restar ruínas, pode estar tudo pior ou melhor - o que sempre depende do ponto de onde se olha a cena. ainda pode acontecer de se repetirem ciclos antigos com roupagens diversas e, no fim das contas, tudo seguir na mesma. quem arrisca um palpite?
quanto a mim, torço para que sempre haja luzes coloridas tingindo o correr daquilo que chamamos tempo, que a música amenize sempre o que porventura nos dói e incendeie mais o que nos faz sorrisos, que os ritos que criamos nos curem e fortaleçam como as vezes a razão não consegue, que os florescimentos e canções continuem amistosos com quem cultiva terra e alma, que  amizade seja o laço que fecha feridas e escancara janelas em dias de festa. que amar seja sempre possível e nos torne gente inteira e não laranjas fracionadas. que o lúdico permeie as coisas todas que constróem o dia, do café da manhã ao avistamento de um avião que cruza o azul sobre nosso terreno pacificadoramente verde. que nos mantenhamos lúcidos, mas nunca amargos, porque, se o mundo e o existir não são fáceis, são inegavelmente belos, e Vinícius estava sim muito certo sobre o fundamental que há na beleza. E eu tenho a felicidade de encontrá-la em cada canto da casa que me abriga, na alegria dos bichos que me cercam, no olho de mar da mulher que amo e nas notas plenas que sempre vazam pelos cômodos da morada nossa.


Escrito por Laura Paz às 01:05 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Azuis

Botões florais e paredes acesas repetem o céu em variações de vibração e intensidade. Para noites festivas, banquete de notas celtas, gaulesas, africanas e outras mais. Tudo misturado com as folhas cheirosas que colhemos logo depois da chuva e mergulhamos no azeite verde-dourado para fazer aroma de apetite contente. E as bicicletas em plena forma tornam o fim de tarde uma seqüência boa de vento manso esvoaçando os cabelos, cenas bonitas à beira do lago e caninos diversos que nos cumprimentam pelo caminho. A temperatura ainda não é aquela de deixar-me pleno conforto, mas isso chega já. Preparamo-nos agora para as decorações natalinas! Viva os ramos, as bolas rubras e sabe-se lá que outros trastes se há de inventar para mais tingir a casa.


Escrito por Laura Paz às 18:06 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]



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